De quem é a POC?
Cada lado tem muito a somar — mas talvez o essencial venha antes: qual hipótese de geração de valor estamos testando?
Fechei o post anterior com a ideia escolhida e uma promessa: chegou a hora de provar. A POC.
E começo por uma pergunta que parece boba: de quem é a POC?
A resposta que me parece mais honesta: de todos — porque todos os lados têm muito a contribuir e se beneficiar. O cliente traz o que ninguém mais poderia trazer: o caso de uso real, a equipe que conhece a operação e o sponsor executivo que dá peso à iniciativa. O fornecedor entra com o que a repetição lhe ensinou: uma metodologia de avaliação acelerada, equipe técnica dedicada e o hábito de provar valor otimizando recursos — sem desperdiçar o tempo de ninguém.
Mas talvez o ponto mais importante venha antes de qualquer divisão de papéis: pra que serve uma POC, afinal?
A resposta que costumo usar: uma POC serve pra gerar evidência de que uma hipótese de geração de valor está correta. Só isso — e é muito. Não é testar tecnologia por testar, nem impressionar na demo. É pegar a hipótese que nasceu no Discovery e passou pela Qualificação — “se aplicarmos isto neste processo, ganhamos aquilo” — e transformá-la em evidência.
Quando esse é o objetivo, o plano deixa de ser burocracia e vira alinhamento. Todos os envolvidos se organizam em torno da mesma hipótese:
- Escopo bem definido — onde a hipótese será testada (e o que fica de fora)
- Prazo — quanto tempo essa resposta merece
- Sponsor e expectativa — quem patrocina e o que espera ver
- Benefícios esperados e critérios de sucesso — o que confirma, ou não, a hipótese
- Equipes envolvidas — quem testa, com disponibilidade real
- Ferramentas e etapas de execução — o caminho do primeiro ao último dia
- Interação com sistemas — se houver, em que medida e com quais cuidados
Feita assim, a POC começa a gerar valor pro cliente antes mesmo da sua implantação, ainda sendo POC. A evidência sai pronta pra sustentar a conversa com quem aprova orçamento — números, aprendizados, riscos mapeados. O time que participa aprende fazendo, e é aí que costumam nascer os champions que carregam a iniciativa depois. O risco fica pequeno antes do compromisso ficar grande. E uma POC com começo, meio e fim constrói algo que vale pra próxima também: credibilidade.
Com critérios claros, até o “não” vira um bom resultado: a hipótese estava errada e descobriu-se rápido e barato — antes do projeto caro que falharia depois. A energia liberada vai pro próximo candidato da fila.
E a decisão baseada em evidência destrava os benefícios esperados. O win-win, aqui, não é slogan — é consequência do combinado.
Vejo muitos pilotos de IA travarem por pular justamente essa parte: começam pela ferramenta, sem hipótese de valor combinada. Bonitos na demo — e intermináveis.
No fim, talvez a melhor POC seja a mais curta capaz de responder: a hipótese está certa? Com começo, fim — e resposta.
No próximo post, o que acontece quando a resposta é sim: consolidar e expandir.
E nas POCs que você viveu: a hipótese de valor estava combinada antes — ou foi sendo descoberta no meio do caminho?