Pré-Vendas & Adoção

Talvez o Discovery deva começar antes

Do lado de quem busca melhorias, Discovery pode ser menos sobre perguntar e mais sobre estar preparado para enxergar o que muda.

Capa do artigo: Talvez o Discovery deva começar antes

No post anterior, o Discovery apareceu como a primeira fase do ciclo de pré-vendas — um ciclo de enorme potencial de geração de valor quando bem aproveitado. Quero voltar nele pelo outro lado da ponte — o de quem está dentro da empresa, procurando o que melhorar. Dessa cadeira, o Discovery talvez seja menos “levantar requisitos” e mais “fomentar o que vale a pena fazer aqui dentro”.

E aí entra uma sutileza em que venho pensando. Quando a gente pergunta “o que você precisa?”, costuma receber de volta aquilo que a pessoa já sabe que existe — melhorias do que ela conhece. Muitas das oportunidades interessantes, às vezes, são justamente as que ainda nem entraram no radar.

Em 2026 isso ficou mais visível: a IA abriu novas portas que muita área talvez ainda não tenha percebido. Pode ser que uma boa oportunidade esteja exatamente ali — mas, se as pessoas não imaginam que aquilo é possível, ela tende a não surgir sozinha numa reunião.

Por isso me parece que o Discovery, nessa visão, precisa começar um pouco antes. Talvez menos numa reunião de levantamento e mais numa provocação — num programa que derrube as barreiras do dia a dia para vislumbrar novas possibilidades.

Voltando ao amadurecimento da IA neste ano: as pessoas podem ir além da busca personalizada e materializar cenários reais de automação e agentes dos mais diversos tipos. Ali na frente tem uma nova empresa esperando ser definida. Não precisa virar todo mundo especialista; uma noção já costuma gerar um despertar.

E quando alguém enxerga algo, ajuda bastante ter um jeito simples de testar — rápido e barato, antes de virar projeto. Dá pra testar com generosidade e deixar o julgamento pra depois; quando a gente decide cedo demais, pode acabar descartando ideias que mal tiveram chance de mostrar valor.

O melhor julgamento costuma ser o amadurecimento destas ideias conforme elas interagem com o que está ao redor. As promissoras a gente direciona ao ciclo — priorização, POC, plano de implantação —, aí já com apoio e mais recursos. (É mais ou menos essa metodologia que venho estruturando num projeto à parte; mas isso fica pra outro texto.)

Claro que nem tudo que brilha vira oportunidade — algumas ideias podem ser armadilhas que só se revelam lá na frente. Mas isso, me parece, é mais assunto da avaliação do que da captura.

No fim, talvez o Discovery do lado de quem busca melhorias dependa tanto de uma boa pergunta ou problema quanto de manter os olhos abertos e atentos.

No próximo post, olhamos para essas ideias que sobem — e como pensar quais valem o esforço.

E na sua empresa: será que as áreas já fazem ideia do que virou possível — ou a conversa ainda gira em torno do que elas costumam pedir?